Escola Municipal de Artes e Ofícios Sica abre inscrições para oficina de Pachamanca
A Escola Municipal de Artes e Ofícios Sica abre inscrições para a oficina “Pachamanca: entre o que se enterra e o que se revela”, uma experiência que propõe aproximar arte, cultura, alimentação, memória e relação com a terra. A atividade será realizada em dois encontros, nos dias 1º e 8 de outubro, e terá como inspiração a pachamanca, prática ancestral dos Andes que consiste no preparo de alimentos em um forno construído no solo, utilizando o calor de pedras aquecidas.
A proposta é conduzida pela artista visual Vânia Barbosa e busca promover uma experiência coletiva com a comunidade, estabelecendo um diálogo entre uma tradição andina e elementos presentes na cultura mineira. Ao longo da oficina, os participantes terão contato com questões relacionadas à terra, ao fogo, aos alimentos, às histórias e aos conhecimentos que são compartilhados durante o preparo coletivo.
As inscrições serão realizadas presencialmente nesta segunda-feira, 28 de setembro, das 7h30 às 17h, na secretaria da Escola Municipal de Artes e Ofícios Sica. São disponibilizadas 15 vagas para pessoas com mais de 16 anos. A atividade será realizada gratuitamente, conforme as informações apresentadas pela escola.
A oficina surgiu a partir de uma proposta da própria artista Vânia Barbosa, que já desenvolve esse tipo de experiência e sugeriu levar a ação para Pará de Minas. Segundo a diretora da Escola Municipal de Artes e Ofícios Sica, Érica Gaede, a artista possui uma relação especial com a instituição e a iniciativa também representa uma forma de retribuir o vínculo construído ao longo de sua trajetória com a Escola de Artes.
Vânia Barbosa possui formação pela Escola Guignard/UEMG e desenvolve sua trajetória artística desde 1984. Sua pesquisa passa por diferentes linguagens, como escultura, performance e instalação, tendo a terra como um dos elementos relacionados à memória, ao território vivo e à transformação da matéria. Ao longo da carreira, a artista participou de exposições em espaços como o Centro Cultural UFMG, Palácio das Artes, Museu de Arte Murilo Mendes, Funarte/RJ, Museu de Arte de Brasília e MAM São Paulo, além de trabalhos apresentados na Colômbia e na Alemanha.
Na proposta desenvolvida para a Escola de Artes, a artista aproxima essa pesquisa estética de uma prática tradicional dos Andes. A intenção é criar um encontro entre diferentes referências culturais por meio de elementos bastante concretos: a terra, o fogo, o alimento e a partilha.
Em convite direcionado à comunidade, Vânia explica que a pachamanca é uma prática ancestral especialmente presente no Peru, na qual os alimentos são preparados utilizando o calor de pedras aquecidas no interior da terra. A experiência será adaptada para o contexto mineiro, estabelecendo uma relação com alimentos presentes no cotidiano e na cultura local, como milho, mandioca, abóbora, batata, raízes e ervas.
“Vamos trazer essa prática para Minas Gerais e colocá-la em diálogo com nossa relação com a Terra, com o fogo, com os quintais e com alimentos tão presentes na nossa cultura”, explica a artista.
A oficina será dividida em dois momentos. O primeiro encontro acontece no dia 1º de outubro, das 8h às 12h. Nesta etapa, os participantes vão conhecer a proposta da pachamanca, participar de uma roda de conversa e conversar sobre a relação entre terra e alimentos. Vânia também apresentará imagens para contextualizar a prática e conduzirá uma reflexão sobre a diversidade de alimentos e os significados que podem estar relacionados a eles.
Durante esse primeiro encontro, cada participante escolherá um alimento que será pesquisado ao longo da semana. A proposta é que a escolha não seja apenas uma etapa prática do processo, mas também uma oportunidade para que cada participante busque informações, histórias e referências relacionadas ao alimento que levará para o segundo encontro.
Entre os alimentos previstos estão vegetais e leguminosas como milho, cenoura, beterraba e batata-doce, além de outros ingredientes que poderão integrar a experiência. A partir das escolhas individuais, o segundo encontro reunirá diferentes alimentos em uma mesma preparação coletiva.
A segunda etapa será realizada no dia 8 de outubro, também das 8h às 12h. Nesse momento, os participantes irão construir o forno subterrâneo que será utilizado para o preparo da pachamanca. A própria oficina prevê a participação dos alunos na construção da estrutura, tornando o processo de preparação parte fundamental da experiência artística e cultural.
A Escola Municipal de Artes e Ofícios Sica já possui um espaço externo considerado apropriado para a realização da atividade e, de acordo com a direção, os materiais necessários para a construção do forno já foram providenciados.
Depois da construção do forno, os alimentos escolhidos pelos participantes serão colocados para o cozimento. Enquanto a terra e as pedras aquecidas realizam o processo, a proposta é que o grupo compartilhe as pesquisas realizadas durante a semana, além das histórias e referências que cada participante tiver encontrado sobre o alimento escolhido.
“Cada participante vai escolher um alimento para pesquisar durante a semana. No segundo encontro, esses alimentos voltarão para formar juntos a nossa pachamanca”, explica Vânia Barbosa.
A artista destaca que o processo de espera também faz parte da experiência. Enquanto o alimento é preparado pela ação do calor das pedras e da terra, os participantes terão a oportunidade de compartilhar conhecimentos e histórias. Dessa forma, o preparo não se limita ao resultado final, mas se transforma em uma experiência de convivência e troca.
“Enquanto a terra e as pedras aquecidas realizam o cozimento, nós vamos partilhar as pesquisas, as histórias trazidas por cada um. E ao final abriremos a pachamanca e partilharemos o alimento”, conta a artista.
A proposta também estabelece uma relação entre o caráter artístico da oficina e a experiência coletiva. Em vez de trabalhar a arte apenas como produção de um objeto, a atividade utiliza o próprio processo de preparação como espaço de criação, encontro e reflexão. Terra, alimento, fogo e memória passam a fazer parte de uma experiência construída pelos próprios participantes.
Para Érica Gaede, diretora da Escola Municipal de Artes e Ofícios Sica, a realização da oficina representa uma oportunidade de levar ao público uma proposta diferente, que une conhecimento tradicional, produção artística e convivência. A atividade também reforça a proposta da escola de oferecer experiências que aproximem a comunidade de diferentes manifestações culturais.
A escolha da pachamanca como ponto de partida permite ainda estabelecer uma conexão entre a cultura andina e elementos presentes na vida cotidiana de Minas Gerais. Embora a prática tenha origem em outra região e tradição, a proposta conduzida por Vânia busca encontrar pontos de contato a partir de elementos comuns, como o cultivo, o preparo dos alimentos, a relação com os quintais e a importância da partilha.
A experiência também valoriza o alimento como elemento de memória e conhecimento. Ao escolher um ingrediente e pesquisar sua história, cada participante passa a contribuir com uma parte da experiência coletiva. No encontro seguinte, os diferentes alimentos e conhecimentos se reúnem em uma única preparação.
A artista resume a proposta como um encontro entre “Andes e Minas, arte, alimento, terra e comunidade”. A ideia é que o processo permita aos participantes experimentar uma prática ancestral ao mesmo tempo em que refletem sobre a relação que possuem com a terra e com os alimentos presentes em sua própria cultura.
Além da experiência prática, a oficina terá um caráter de troca. A participação dos alunos na construção do forno, a escolha dos alimentos, as pesquisas realizadas durante a semana e o compartilhamento das histórias fazem parte de uma mesma proposta, na qual cada pessoa contribui para a construção do resultado final.
A oficina “Pachamanca: entre o que se enterra e o que se revela” terá, portanto, dois momentos complementares. No primeiro, o grupo conhecerá a prática, conversará sobre seus significados e escolherá os alimentos que serão pesquisados. No segundo, os participantes colocarão o conhecimento em prática, construindo o forno subterrâneo, preparando os alimentos e compartilhando as pesquisas realizadas.
Para participar, é necessário ter mais de 16 anos e realizar a inscrição presencialmente na secretaria da Escola Municipal de Artes e Ofícios Sica nesta segunda-feira, 28 de setembro, das 7h30 às 17h. Ao todo, serão 15 vagas.
Com uma proposta que combina arte, cultura, alimentação e convivência, a oficina pretende transformar o espaço da Escola de Artes em um local de encontro e experimentação. Ao trazer para Pará de Minas uma prática tradicional dos Andes e colocá-la em diálogo com elementos da cultura mineira, a iniciativa propõe uma experiência que começa na terra, passa pelo alimento e termina na partilha.
Ao final dos dois encontros, a abertura da pachamanca e o compartilhamento dos alimentos representarão também o fechamento de um processo construído coletivamente. Mais do que aprender uma técnica de preparo, os participantes terão a oportunidade de conhecer uma tradição, pesquisar os alimentos, compartilhar histórias e refletir sobre a relação entre território, memória e comunidade.
A oficina reforça, assim, a proposta de aproximar diferentes culturas por meio da arte e de experiências coletivas, mostrando que elementos cotidianos, como a terra e os alimentos, também podem ser pontos de partida para a criação artística, para a preservação de conhecimentos e para o encontro entre pessoas.