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Saúde bucal deve ser cuidada desde a gestação e acompanhada durante toda a infância

O cuidado com a saúde bucal começa antes mesmo do nascimento. Por isso, o acompanhamento odontológico durante a gestação é considerado um momento importante para orientar a futura mãe sobre os cuidados com a própria saúde e, também, sobre os hábitos que podem contribuir para que a criança desenvolva uma boa saúde bucal desde os primeiros anos de vida. Em Pará de Minas, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, oferece atendimento odontológico gratuito para gestantes, crianças e adolescentes, com ações de prevenção, promoção da saúde, diagnóstico e tratamento.

A primeira consulta odontológica da gestante deve ser entendida como parte do cuidado durante o pré-natal. Nesse período, além de avaliar a saúde bucal da futura mãe, o profissional pode orientar sobre higiene, alimentação e prevenção de problemas como cáries e doenças da gengiva. A consulta também abre espaço para esclarecer dúvidas e preparar a família para os cuidados que deverão ser adotados com a boca do bebê após o nascimento.

Dentista e assessora executiva do Departamento de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde, Marina Baldiotti destaca que a atenção deve começar ainda durante a gravidez. Segundo ela, a gestante costuma estar mais receptiva para receber informações e orientações que envolvem não apenas a própria saúde, mas também os cuidados que terá com o bebê.

“Quando a gente fala em primeira consulta odontológica da criança, a gente tem que lembrar que, na verdade, o ideal é a gente pegar essa gestante no pré-natal odontológico. É muito importante essa visita da gestante ao dentista. Nesse momento, a gestante está mais receptiva para receber informações e cuidados, tanto com a sua saúde bucal quanto a saúde bucal do seu bebê que está por vir”, explica Marina.

Depois do nascimento, o acompanhamento deve continuar desde os primeiros meses. A consulta odontológica da criança não se limita à observação dos dentes. Durante a avaliação, o profissional também verifica a gengiva, a mordida, a oclusão, a formação dos roletes gengivais e outros aspectos relacionados ao desenvolvimento da boca.

A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que a criança tenha contato com o dentista desde o primeiro ano de vida. O objetivo é acompanhar o desenvolvimento, identificar precocemente possíveis alterações e orientar pais e responsáveis sobre os cuidados necessários em cada fase.

“É super importante que a criança visite o dentista desde o primeiro ano de vida. Nessas consultas de prevenção são feitas a avaliação e acompanhamento dessa criança. E isso faz com que a criança torne o ambiente odontológico um ambiente seguro e tranquilo, evitando com que a criança vá para o atendimento apenas numa situação de emergência”, explica Marina.

Um dos principais cuidados após o nascimento está relacionado à higiene bucal. Segundo a profissional, quando surgir o primeiro dentinho, já é necessário iniciar a limpeza da boca com escova de dentes e creme dental infantil com flúor, utilizando pequena quantidade. A orientação adequada deve ser buscada junto à unidade de saúde, de acordo com as necessidades da criança.

A alimentação também ocupa papel importante na formação dos hábitos relacionados à saúde bucal. Marina chama a atenção especialmente para a recomendação de evitar o consumo de açúcar até os dois anos de idade. Segundo ela, esse período é importante para a formação dos hábitos gustativos da criança, e a ausência do açúcar contribui para evitar problemas que vão além das doenças bucais.

“A alimentação da criança é fundamental que seja zero açúcar até 2 anos de idade. É nesse momento que está formando os hábitos gustativos da criança e essa ausência do açúcar evita outras doenças além das doenças bucais”, orienta.

Além da alimentação, os pais também devem observar hábitos que podem interferir no desenvolvimento da boca. O uso de chupeta e o hábito de chupar o dedo, por exemplo, podem provocar alterações na oclusão da criança. Por isso, o acompanhamento odontológico desde os primeiros anos permite que esses aspectos sejam observados e que os responsáveis recebam orientações de acordo com cada situação.

Outro ponto destacado pela profissional é a necessidade de participação dos pais na escovação. Durante a infância, a criança ainda não possui coordenação motora suficiente para realizar sozinha uma higienização adequada. Por isso, os responsáveis precisam acompanhar e auxiliar o processo.

“Lembrando que a criança não tem uma coordenação motora efetiva, é super importante com que os pais acompanhem essa higienização e escovação da criança até os 10 anos de idade”, afirma Marina.

A orientação também vale para os chamados dentes de leite. Apesar de serem temporários, eles precisam receber os mesmos cuidados de higiene, acompanhamento e tratamento que os demais dentes. A saúde desses dentes influencia o desenvolvimento da criança e não deve ser negligenciada simplesmente pelo fato de que serão substituídos posteriormente.

“Os dentes de leite são super importantes de serem tratados e receberem todos os cuidados”, reforça a dentista.

A profissional chama ainda a atenção para a relação entre saúde bucal e saúde do organismo como um todo. Por isso, situações que poderiam ser consideradas pequenas ou passageiras não devem ser ignoradas pelos pais e responsáveis.

“Lembrando que o mesmo sangue que circula na boca circula em todo o corpo. Então, um dente de leite que ainda vai ser trocado, ele pode sim ser causador de grandes problemas bucais”, alerta.

Na rede municipal de Pará de Minas, o atendimento às crianças não acontece apenas individualmente nas unidades de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde também desenvolve ações preventivas e de promoção da saúde bucal nas escolas, levando orientações diretamente ao ambiente escolar.

De acordo com Marina, as crianças participam de ações coletivas de escovação supervisionada, atividades educativas, teatros e outras iniciativas voltadas para a conscientização sobre os cuidados com a boca. Essas ações ajudam a apresentar o tema de maneira acessível às crianças e estimulam a construção de hábitos de higiene desde cedo.

Além das atividades realizadas nas escolas, o atendimento individual é disponibilizado nas unidades de saúde. Pais ou responsáveis devem procurar a unidade mais próxima da residência e realizar o agendamento para que a criança seja atendida pela equipe.

Na rede municipal, são oferecidos procedimentos como limpeza odontológica, restaurações, tratamentos de canal e extrações, além das ações coletivas desenvolvidas no ambiente escolar. A proposta é garantir que o cuidado aconteça tanto pela prevenção quanto pelo acompanhamento e tratamento quando algum problema for identificado.

Para a Secretaria Municipal de Saúde, um dos principais objetivos é evitar que a criança procure o serviço odontológico somente quando já está sentindo dor. As consultas de rotina permitem acompanhar o desenvolvimento da boca, identificar alterações em estágio inicial e orientar a família antes que situações simples se transformem em problemas mais complexos.

A criação de uma relação positiva entre a criança e o consultório odontológico também é apontada como um dos benefícios do acompanhamento precoce. Quando o contato com o dentista acontece apenas em situações de emergência, o atendimento pode ser associado pela criança à dor ou ao medo. Já as consultas preventivas ajudam a tornar esse ambiente mais conhecido e tranquilo.

Por isso, a orientação aos pais é que o cuidado não seja interrompido quando não existem sintomas. Mesmo que a criança não esteja reclamando de dor ou não apresente um problema aparente, as consultas regulares são importantes para acompanhar o desenvolvimento e manter os hábitos de higiene adequados.

A participação da família é considerada fundamental nesse processo. As orientações recebidas durante as consultas precisam continuar dentro de casa, com acompanhamento da escovação, atenção à alimentação e incentivo para que a criança desenvolva uma rotina de cuidados.

“Querida família, procure sempre o dentista, visite regularmente, leve seu filho ao dentista e não deixe de ajudar as suas crianças em casa com a higiene bucal. Elas precisam da ajuda de vocês”, orienta Marina.

O atendimento oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde também contempla adolescentes, mantendo o acompanhamento odontológico ao longo das diferentes fases do desenvolvimento. Dessa forma, o cuidado não termina na infância, mas acompanha a pessoa durante uma etapa importante de formação de hábitos que podem permanecer por toda a vida.

Em Pará de Minas, pais e responsáveis que desejam buscar atendimento odontológico para crianças e adolescentes devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência para receber as orientações sobre o serviço e realizar o agendamento.

A proposta da rede municipal é trabalhar a saúde bucal de forma contínua, começando pela gestação e passando pelos primeiros dias de vida, pelo surgimento dos dentes, pela infância e pela adolescência. Nesse percurso, consultas preventivas, acompanhamento familiar, alimentação adequada, higiene diária e ações educativas se complementam.

Mais do que tratar cáries ou outros problemas depois que eles aparecem, o acompanhamento odontológico permite construir uma rotina de prevenção. Para a criança, isso significa crescer entendendo que cuidar dos dentes faz parte dos cuidados com a própria saúde, enquanto para os pais representa a oportunidade de receber orientação profissional em cada etapa do desenvolvimento.

Assim, o cuidado com a saúde bucal começa ainda no pré-natal odontológico, continua após o nascimento e deve acompanhar a criança ao longo de seu crescimento. Em casa, na escola e nas unidades de saúde, a participação conjunta de profissionais, pais e responsáveis contribui para que crianças e adolescentes desenvolvam hábitos saudáveis e tenham uma relação mais tranquila e positiva com o atendimento odontológico.

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