Estação Afro promove ação formativa sobre a história do circo e a presença negra na palhaçaria
A próxima edição do Estação Afro, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura, terá uma programação especial nesta quinta-feira, 1º de outubro, em parceria com o Festolino – Festival de Circo e Teatro. O encontro será realizado às 19h, na Estação Cultural, na Praça Torquato de Almeida, e contará com a ação formativa “Palhaçaria da Encruzilhada”, voltada à história do circo no Brasil e à presença negra na palhaçaria.
A atividade terá a participação do artista e palhaço Wildson França, homenageado desta edição do Festolino, e da historiadora e pesquisadora do circo Lili Castro. A proposta é criar um espaço de aprendizado e reflexão sobre a trajetória do circo brasileiro, destacando personagens importantes para a construção dessa história, entre eles Benjamin de Oliveira, considerado o primeiro palhaço negro do Brasil.
Mais do que apresentar manifestações artísticas, a ação pretende aproximar o público da história por trás da cultura e estimular a compreensão sobre a formação do circo no país e suas diferentes influências.
O diretor da Estação Cultural, Higor Duarte, destaca que uma das funções da cultura é também proporcionar momentos de formação e ampliar o acesso da população ao conhecimento sobre a própria história.
“Na próxima quinta-feira nós temos mais uma edição do Estação Afro e a gente está tendo o prazer de fazer essa parceria com o Circolino, no meio da programação do Festolino, que é o festival de circo, e trazer um pouquinho da história”, explica.
Segundo Higor, a escolha do tema também dialoga diretamente com a presença de Benjamin de Oliveira na trajetória do circo brasileiro. Nascido em Minas Gerais, Benjamin se tornou uma referência histórica da palhaçaria e do circo-teatro no país, especialmente por sua atuação como artista negro em um período marcado por profundas desigualdades sociais e raciais.
“Nós temos um grande ícone da palhaçaria do circo-teatro, que é o Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil”, destaca o diretor.
A partir dessa referência, a ação formativa pretende apresentar ao público elementos da história do circo e discutir de que maneira essa trajetória também está relacionada à formação cultural brasileira.
“Nessa edição do evento, o público vai poder participar de uma ação formativa, de uma aula, para entender um pouco mais da história do circo no Brasil e como que isso afeta a nossa história”, explica Higor.
A proposta de transformar parte da programação cultural em espaço de formação é uma das características que a Secretaria Municipal de Cultura pretende fortalecer por meio do Estação Afro. Para o diretor, iniciativas como essa permitem que o público tenha contato não apenas com apresentações e manifestações artísticas, mas também com as histórias, personagens e processos que ajudaram a construir a cultura brasileira.
“Um dos papéis da cultura é fazer essas ações formativas mais voltadas também para a educação, para o pessoal entender um pouco mais da cultura do nosso país”, afirma.
Nesse sentido, o Estação Afro amplia sua proposta ao abordar a cultura negra também a partir de sua dimensão histórica. A intenção é apresentar referências e trajetórias que muitas vezes permanecem pouco conhecidas pelo público e criar oportunidades para que esses conhecimentos sejam compartilhados por pessoas que pesquisam e atuam diretamente nas áreas abordadas.
“O Estação Afro vai trazer nessa edição e nas próximas edições não só as ações demonstrando a cultura e a arte da cultura negra propriamente dita, mas também um pouco mais da história e pessoas que têm propriedade para falar”, destaca Higor.
A parceria com o Festolino amplia ainda mais essa proposta. Em sua 4ª edição, o festival é realizado pela Cia. Circolino – Escola de Circo e Teatro e reúne diferentes linguagens e atividades relacionadas ao universo circense, incluindo espetáculos, rodas de conversa, cortejo e ações formativas.
A programação do Festolino segue até 3 de outubro, ocupando diferentes espaços de Pará de Minas e aproximando a população de manifestações ligadas ao circo e ao teatro.
Dentro desse contexto, a realização do “Palhaçaria da Encruzilhada” durante o Estação Afro cria uma conexão entre a programação do festival e a proposta de valorização da história e da cultura negra. A atividade coloca o circo como ponto de partida para discutir memória, representatividade e a participação de artistas negros na construção das artes brasileiras.
A escolha de Benjamin de Oliveira como uma das principais referências da atividade contribui para esse diálogo ao recuperar a trajetória de um artista que ocupa um lugar significativo na história do circo brasileiro. A proposta, porém, vai além da apresentação de uma personalidade histórica e busca estimular uma compreensão mais ampla sobre o desenvolvimento da palhaçaria e do circo no país.
Para a Secretaria Municipal de Cultura, a iniciativa também representa uma oportunidade de levar conhecimento para diferentes públicos e fortalecer o papel dos espaços culturais como locais de encontro, formação e reflexão.
A atividade será realizada nesta quinta-feira, 1º de outubro, às 19h, na Estação Cultural, na Praça Torquato de Almeida. A participação integra a programação do Estação Afro e acontece dentro das atividades da 4ª edição do Festolino.
Com a parceria, a programação cultural de Pará de Minas ganha mais um momento de encontro entre diferentes linguagens artísticas e perspectivas históricas. Ao colocar a palhaçaria, o circo e a trajetória de artistas negros em debate, a ação busca aproximar o público de uma parte da história cultural brasileira e reforçar a importância de conhecer os personagens e as contribuições que ajudaram a construir essa trajetória.