Ir para o conteúdo Ir para o menu Ir para o rodapé
Acessibilidade Mapa do site
../app-home/api-modulos/noticias/img/171697/4fd59571dc08f8f3df7512cb.png

Vigilância em Saúde alerta para prevenção da leptospirose durante o período chuvoso

Com a chegada do período de maior ocorrência de chuvas, a Vigilância em Saúde, por meio da Secretaria Municipal de Saúde de Pará de Minas, reforça o alerta à população para a prevenção da leptospirose. A doença infecciosa é causada pela bactéria Leptospira, encontrada principalmente na urina de roedores infectados, e pode ser transmitida pelo contato com água ou lama contaminadas, especialmente em situações de enchentes, enxurradas e alagamentos.

Embora o risco aumente durante o período chuvoso, a leptospirose não está restrita às enchentes. O contato com água ou lama contaminada pode ocorrer também em ambientes domésticos, inclusive no quintal das residências. A bactéria pode penetrar no organismo pela pele, mesmo quando não existem ferimentos aparentes, além de entrar por cortes, feridas e mucosas.

De acordo com as orientações da Vigilância Epidemiológica, os sinais e sintomas podem aparecer entre um e 30 dias após a exposição. A recomendação é que a população fique especialmente atenta nas semanas seguintes ao contato com água de enchente ou lama potencialmente contaminada e procure atendimento de saúde diante do aparecimento de sintomas.

Entre os principais sinais estão febre alta, dor de cabeça, dores musculares e articulares, especialmente na região das panturrilhas, calafrios, náuseas e vômitos. Em quadros mais graves, podem surgir amarelamento da pele e dos olhos, sangramentos, alterações renais e dificuldade respiratória. Por apresentarem características que podem ser confundidas com outros problemas de saúde, é fundamental que a pessoa informe ao profissional de saúde se teve contato recente com água de enchente, lama ou outro local que possa estar contaminado.

A doença possui tratamento e, segundo a Vigilância Epidemiológica, ele é iniciado diante da suspeita, sem que seja necessário aguardar a confirmação laboratorial. A orientação é procurar atendimento o mais rapidamente possível, permitindo que a equipe de saúde avalie o quadro e inicie a conduta adequada para evitar a evolução para formas mais graves.

A Vigilância Epidemiológica também atua diretamente quando uma unidade de saúde identifica um caso suspeito. A partir da comunicação, são fornecidas orientações para o atendimento do paciente e são adotados os protocolos necessários, incluindo a realização dos exames laboratoriais indicados. O caso é notificado e inicia-se uma investigação para identificar possíveis fontes de exposição e orientar as medidas de controle.

Segundo os registros da Vigilância Epidemiológica, entre 2022 e 2026 não houve casos confirmados de leptospirose em Pará de Minas. Em 2025, foram registrados três casos notificados, sem confirmação. Já em 2026, até o momento, foram dois casos notificados, também sem confirmação.

O trabalho de prevenção envolve diferentes setores da Vigilância em Saúde. Oscar Leitão, referência técnica do Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, explica que a atuação não se limita ao atendimento dos casos suspeitos, mas envolve medidas de prevenção, educação em saúde, monitoramento e controle ambiental.

“O principal papel da vigilância em saúde é evitar o adoecimento da população”, destaca. Para isso, são desenvolvidas ações de educação em saúde, controle ambiental de vetores e monitoramento das áreas e dos casos, permitindo acompanhar o cenário epidemiológico e estabelecer estratégias para reduzir os riscos de transmissão.

A prevenção da leptospirose depende de uma atuação integrada. A Vigilância Epidemiológica acompanha os pacientes e o fluxo de diagnóstico e tratamento; a Vigilância de Zoonoses atua no controle ambiental dos vetores; e a Vigilância Sanitária participa da fiscalização relacionada às condições sanitárias. Outros setores municipais, como infraestrutura e limpeza urbana, também podem contribuir com ações destinadas a reduzir as condições que favorecem a presença de roedores.

De acordo com Oscar, uma das principais formas de prevenção é evitar que os roedores encontrem nas residências condições favoráveis para alimentação, abrigo e reprodução. Isso envolve manter os ambientes limpos e organizados, evitar o acúmulo de lixo e entulho, não deixar alimentos expostos ou destampados, armazenar corretamente os alimentos, manter caixas-d'água fechadas e vedar frestas e possíveis pontos de entrada dos animais.

Quando houver contato inevitável com água de enchentes ou lama, a orientação é utilizar botas e luvas impermeáveis e proteger cortes, ferimentos ou arranhões com materiais à prova d'água. Crianças não devem brincar ou nadar em águas de enchentes, devido ao risco de contaminação.

Também é necessário cuidado durante a limpeza de locais atingidos por alagamentos. A lama pode estar contaminada e deve ser retirada com a utilização de equipamentos de proteção. Pisos, paredes e demais superfícies que tiveram contato com a água da enchente precisam ser devidamente higienizados e desinfetados antes de voltarem a ser utilizados.

A enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Karina Merlin, reforça que a associação entre sintomas e histórico de exposição é importante para a avaliação dos casos. Diante de febre, dores musculares ou outros sinais compatíveis após o contato com água de enchente ou lama, a população deve procurar uma unidade de saúde e informar sobre a situação de risco.

O alerta da Secretaria Municipal de Saúde busca reforçar que a prevenção começa antes mesmo de uma eventual exposição. Manter os ambientes livres de lixo e entulho, impedir o acesso de roedores aos alimentos e às residências e evitar o contato com águas potencialmente contaminadas são medidas que ajudam a reduzir os riscos, especialmente durante o período chuvoso.

Compartilhar notícia