Agosto Dourado reforça importância da amamentação e mobiliza rede de saúde em Pará de Minas
Com o tema "Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona", a campanha Agosto Dourado 2026 convida a sociedade a refletir sobre a importância do aleitamento materno como uma das principais estratégias para promover saúde, combater a insegurança alimentar e garantir um desenvolvimento mais saudável para crianças desde os primeiros dias de vida.
Reconhecido como o "padrão ouro" da nutrição infantil, o leite materno reúne todos os nutrientes necessários para o bebê nos primeiros meses de vida, fortalece o sistema imunológico, reduz o risco de infecções e ainda contribui para a prevenção de doenças crônicas na vida adulta, como diabetes, hipertensão e obesidade. Além dos benefícios físicos, a amamentação fortalece o vínculo entre mãe e filho e representa um importante instrumento de promoção da saúde pública.
Em Pará de Minas, a campanha será desenvolvida ao longo de todo o mês pela Secretaria Municipal de Saúde, com ações de conscientização, acolhimento e orientação às famílias. No Ambulatório Médico de Especialidades (AME), onde o incentivo ao aleitamento já faz parte da rotina durante todo o ano, o trabalho será intensificado por meio de atividades educativas, atendimento multiprofissional e orientações nas salas de espera da unidade.
Segundo a pediatra Isabelly Santos, o principal objetivo do Agosto Dourado é combater a desinformação que ainda dificulta o sucesso da amamentação.
"A campanha existe para incentivar o aleitamento materno, desmistificar vários mitos, acolher essa mãe que amamenta e fornecer informações corretas para toda a família. O leite materno é o alimento mais importante para o bebê até os seis meses de vida e continua trazendo benefícios quando mantido até os dois anos ou mais."
Ela explica que um dos mitos mais comuns encontrados nos consultórios é a falsa ideia de que algumas mulheres produzem um leite "fraco".
"Esse é um dos principais mitos que a gente precisa combater. Muitas mães acreditam que o bebê está chorando porque o leite não sustenta, mas o bebê chora por vários motivos. O leite materno nunca é fraco. Ele oferece exatamente aquilo que a criança precisa."
Além da nutrição, a médica destaca os efeitos protetores da amamentação para toda a vida.
"A curto prazo observamos menos infecções respiratórias, menos diarreias e menos alergias. A longo prazo, reduzimos as chances dessa criança desenvolver doenças como diabetes e hipertensão quando adulta. Nenhuma fórmula consegue reproduzir os anticorpos presentes no leite materno."
Para as mães que enfrentam dificuldades, dores ou insegurança durante a amamentação, o atendimento no AME prioriza o acolhimento e o acompanhamento individualizado.
"Amamentar nem sempre é fácil. A mãe está num momento muito vulnerável e recebe muitos palpites. O primeiro passo é acolher essa mulher, orientar corretamente, avaliar a pega do bebê, corrigir posições e trabalhar junto com a nutricionista e toda a equipe para que ela consiga seguir em frente."
Ela reforça ainda que a decisão sobre o tempo de amamentação pertence à mãe.
"Sempre incentivamos que a amamentação seja mantida pelo maior tempo possível, mas ela precisa ser um momento prazeroso tanto para a mãe quanto para o bebê."
A nutricionista Ana Paula Couto explica por que o leite materno é considerado o alimento mais completo para o recém-nascido.
"O leite materno é um alimento vivo e único. Ele contém água, proteínas, carboidratos, vitaminas, minerais, anticorpos e inúmeros fatores de proteção. Diferentemente das fórmulas, ele vai mudando de acordo com a necessidade do bebê."
Ela também esclarece outro equívoco frequente.
"Muito pelo contrário, o leite materno sustenta completamente a criança até os seis meses. O que acontece é que ele é mais facilmente digerido e, por isso, o bebê mama mais vezes ao longo do dia."
A nutricionista lembra que a recomendação é de amamentação exclusiva até os seis meses, mantendo o leite materno junto da alimentação complementar até os dois anos ou mais.
Ela destaca ainda que a alimentação da mãe interfere positivamente na composição do leite e ajuda até mesmo na formação do paladar da criança.
"O bebê também conhece sabores através da alimentação da mãe. Isso facilita a introdução alimentar mais tarde."
Entre as orientações repassadas durante a campanha estão a importância de uma alimentação saudável para a mãe, a manutenção de pelo menos quatro refeições por dia, a redução do consumo de ultraprocessados e informações sobre a conservação do leite.
Segundo Ana Paula, o leite extraído pode ser armazenado em recipiente de vidro esterilizado e permanecer congelado por até 15 dias, mantendo suas propriedades nutricionais.
A coordenadora do Serviço de Atenção à Saúde da Mulher e da Criança do AME, Lílian Luce, explica que o incentivo ao aleitamento começa ainda durante o pré-natal e continua após o nascimento do bebê.
"Se percebemos qualquer dificuldade da gestante ou da puérpera em relação à amamentação, fazemos uma abordagem acolhedora e envolvemos toda a equipe multiprofissional. Nosso objetivo nunca é cobrar, mas orientar e apoiar essa mãe."
Durante o Agosto Dourado, as ações educativas serão ampliadas.
"Vamos aproveitar as salas de espera para orientar mães, pais, avós e familiares. Teremos profissionais de diversas áreas conversando com as famílias e também utilizaremos os televisores da unidade para divulgar informações seguras sobre amamentação."
Outra estratégia importante do AME é o atendimento integrado entre pediatria e nutrição.
"Quando pediatra e nutricionista trabalham juntas, conseguimos dar muito mais tranquilidade às mães e resolver dificuldades antes que elas levem ao desmame precoce."
A campanha também valoriza histórias reais de mulheres que enfrentaram desafios para conseguir amamentar.
Moradora do distrito de Tavares, Luana de Sousa Lima conta que seu filho, Luís Miguel, precisou permanecer na incubadora logo após o nascimento, o que dificultou bastante o início da amamentação.
"No começo foi muito difícil porque ele ficou na incubadora e não conseguia pegar o peito. Chegamos a usar copinho no hospital."
Mesmo enfrentando ferimentos e dores intensas, ela decidiu persistir.
"Machucou muito. Fiz tratamento até com laser, mas continuei porque sei que o leite materno é tudo para o bebê."
Hoje, ao ver o desenvolvimento saudável do filho, ela afirma que todo o esforço valeu a pena.
"Graças à amamentação exclusiva, ele está muito saudável, ganhando peso e crescendo bem."
Para Luana, porém, o maior benefício vai além da saúde física.
"O vínculo da mãe com o filho é o peito. É uma conexão muito forte. Quando estou amamentando, ele fica olhando dentro dos meus olhos. É um momento que não tem explicação."
Ao longo de todo o mês de agosto, a Secretaria Municipal de Saúde reforçará, por meio das unidades de saúde e do Ambulatório Médico de Especialidades, a importância do aleitamento materno como uma prática que beneficia não apenas mães e bebês, mas toda a sociedade. Além de reduzir doenças, diminuir internações e fortalecer vínculos familiares, a amamentação representa um investimento na qualidade de vida das futuras gerações e na construção de um desenvolvimento mais saudável e sustentável para o município.