109ª edição do Quinta no Museu resgata tradição da seresta e promete noite de emoção com Bell Black e Moisés Mendes
A tradição da seresta voltará a ecoar pelos corredores do Museu Histórico de Pará de Minas na próxima quinta-feira (23), a partir das 20 horas, durante a 109ª edição do projeto Quinta no Museu. O evento, promovido pela Prefeitura de Pará de Minas, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Comunicação Institucional e do Museu Histórico, receberá os irmãos Bell Black e Moisés Mendes, que prepararam um repertório composto por grandes clássicos da música brasileira, reunindo romantismo, nostalgia e memórias afetivas.
Mais do que uma apresentação musical, a noite marca mais um capítulo de um dos projetos culturais mais longevos do município. Ao longo de mais de uma centena de edições, o Quinta no Museu consolidou-se como um importante espaço de valorização da cultura, reunindo artistas locais e regionais e aproximando públicos de diferentes gerações do patrimônio histórico da cidade.
Segundo o diretor do Museu Histórico, Alaércio Delfino, a permanência do projeto ao longo dos anos é resultado da constante renovação de sua programação.
"Principalmente pela diversidade cultural que buscamos trazer para dentro do museu. Mais uma vez teremos uma edição superespecial, dentro do planejamento que fizemos para este ano, valorizando a seresta brasileira. Desta vez receberemos uma dupla que muita gente nem imagina que também canta seresta, porque normalmente apresenta um repertório totalmente diferente: Bell Black e Moisés. Estão todos convidados para esta quinta-feira, dia 23, às 20 horas."
Nesta edição, o projeto volta seus olhares para um dos gêneros mais tradicionais da música brasileira. Para Alaércio, a proposta vai além da realização de um espetáculo: trata-se de preservar uma manifestação cultural que faz parte da história do município.
"A seresta nada mais é do que a música de serenata, só que apresentada em ambiente fechado. Ela veio para o Brasil ainda na época dos portugueses e faz parte da nossa tradição. Em Pará de Minas já existiam serenatas por volta de 1859, na época da emancipação do município. Então buscamos justamente resgatar essa tradição e trazê-la para dentro do Museu."
O diretor explica que essa não é a primeira vez que a seresta integra a programação do Quinta no Museu. Pelo contrário, o gênero vem ganhando espaço dentro do calendário cultural da cidade.
"Esta é a terceira edição dedicada à seresta e ainda teremos outras. Nossa intenção é realizar mais três edições até o fim do ano, mantendo esse trabalho de valorização desse importante patrimônio musical."
Além de fortalecer tradições, o projeto também tem ampliado o alcance do Museu Histórico junto à população.
Segundo Alaércio, a diversidade de atrações tem contribuído para que pessoas que antes não frequentavam o espaço passem a conhecê-lo.
"É justamente isso que buscamos: trazer públicos diferentes a cada edição. Muitas pessoas vêm para assistir ao espetáculo e acabam conhecendo também o museu. Esse intercâmbio entre cultura, música e patrimônio é muito importante para fortalecer o nosso espaço."
Os protagonistas da noite também carregam uma relação muito especial com a seresta.
Para Bell Black, o gênero representa o início de sua trajetória musical e está diretamente ligado às lembranças da infância.
"Todo artista tem uma base. Dentro da minha casa, com meu pai e minha mãe, a primeira coisa que aprendemos foram justamente as serestas, as músicas de serenata. Naquela época fazia-se muita serenata, então a gente cresceu ouvindo e aprendendo esse repertório. Depois vieram outros estilos, inclusive as músicas internacionais, e agora vamos fazer uma mistura de tudo isso."
Ela conta que foi convivendo com a família que nasceu o amor pela música.
"Com certeza foi onde tudo começou. Nossa família inteira canta, toca violão e a gente sempre se reunia na sala de casa. Era um momento de muita alegria e foi ali que nasceu esse gosto pela música."
As lembranças familiares permanecem vivas até hoje.
"Tenho muitas recordações. À noite, meus pais, que eram muito religiosos, reuniam a família para rezar o terço e, depois, sempre acabávamos cantando uma seresta. Minha mãe gostava muito de Dalva de Oliveira e Vicente Celestino. São lembranças maravilhosas que fazem parte da nossa história."
Para Bell, apresentar esse repertório ao público também significa revelar uma faceta ainda pouco conhecida de sua carreira.
"Às vezes as pessoas nos veem cantando determinados estilos e imaginam que conhecemos apenas aquele repertório. Mas não. A seresta faz parte da nossa formação, da nossa família e do nosso coração. Acho importante que o público conheça também esse lado da gente."
Ela acredita que o espetáculo será marcado pela emoção.
"A música tem esse poder de marcar momentos da vida. Quem vier pode preparar o coração, porque certamente vai reviver muitas lembranças e muitos sentimentos bons."
O músico Moisés Mendes explica que revisitar esse repertório também significou reencontrar parte de sua própria história.
"Voltamos a lembrar de muitas músicas de seresta que toquei durante muitos anos. Cantei esse repertório ao lado de pessoas como Doutor Êno, Geraldinho Cavaquinho, São João, Seu Valdemar e Maurício Xavier. Agora estamos ensaiando novamente para trazer essas canções de volta ao palco."
Entre os grandes nomes homenageados durante a apresentação estará Nelson Gonçalves, um dos maiores intérpretes da música brasileira.
"Teremos músicas do Nelson Gonçalves e outros grandes clássicos da seresta. É um repertório preparado para quem gosta desse estilo."
Ao convidar a população para participar da noite musical, Moisés resume o sentimento que pretende despertar no público.
"É um espetáculo voltado para a saudade, para o saudosismo. Quem gosta desse tipo de música pode vir prestigiar e viver esse momento com a gente."
Como uma prévia do espetáculo, Bell Black ainda interpretou um trecho de "Negue", um dos grandes sucessos eternizados por Nelson Gonçalves, antecipando o clima romântico e nostálgico que marcará a apresentação.
Com mais de cem edições realizadas, o Quinta no Museu segue se reinventando sem perder sua essência: valorizar a cultura, preservar a memória e aproximar a comunidade das mais diversas manifestações artísticas. Ao dedicar uma sequência de apresentações à seresta, o projeto reafirma seu compromisso com o resgate das tradições musicais que ajudaram a construir a identidade cultural de Pará de Minas, transformando o Museu Histórico em um espaço vivo de encontro entre passado, presente e futuras gerações.