Pará de Minas intensifica vigilância e vacinação após alerta epidemiológico para febre amarela em Minas Gerais
A Secretaria Municipal de Saúde de Pará de Minas intensificou as ações de vigilância epidemiológica e vacinação contra a febre amarela após a emissão de um alerta pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Minas Gerais (CIEV Minas). O alerta foi motivado pela confirmação de casos de febre amarela em primatas não humanos nos municípios de Arinos, Riachinho, Unaí, Buritis, Formoso, Uruana de Minas, Pitangui, Buritizeiro e Urucuia, localizados na região noroeste do estado.
Embora não exista nenhum caso confirmado da doença em Pará de Minas ou na macrorregião de saúde à qual o município pertence, a Secretaria Municipal de Saúde reforçou as medidas preventivas, especialmente a vacinação da população e o monitoramento ambiental.
A febre amarela é uma doença infecciosa viral transmitida por mosquitos infectados e pode evoluir de formas leves até quadros graves, com elevado risco de óbito. A principal forma de prevenção continua sendo a vacinação.
A referência técnica em Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Maria de Lourdes Liguori, explicou que a intensificação das ações ocorre justamente para evitar que a doença chegue ao município.
"Nós tivemos recentemente um alerta epidemiológico após a confirmação de casos positivos de febre amarela em primatas não humanos no noroeste de Minas Gerais. O papel da vigilância é agir antes que o problema aconteça. Por isso, o Estado orientou todos os municípios, incluindo Pará de Minas, a reforçarem a vigilância e a prevenção."
Segundo Lourdinha, a febre amarela integra o grupo das arboviroses, assim como a dengue e a chikungunya, e exige monitoramento constante.
"A febre amarela é transmitida por mosquitos que fazem parte do nosso ambiente, tanto na zona urbana quanto na zona rural. Apesar de não termos registro de transmissão urbana no Brasil atualmente, já tivemos casos humanos relacionados à circulação do vírus em áreas silvestres. Esse alerta serve justamente para reforçarmos as medidas preventivas."
Ela lembra que Minas Gerais possui histórico importante da doença e que Pará de Minas está inserida em uma área considerada estratégica para vigilância.
"Minas Gerais passou a integrar esse corredor epidemiológico desde o final da década de 1990. Atualmente, já registramos 29 casos positivos em primatas não humanos em 2025 e 2026. Embora não haja casos em nossa região, estamos relativamente próximos das áreas afetadas e precisamos atuar preventivamente."
Lourdinha reforçou ainda que a população não deve entrar em pânico, mas precisa estar atenta às orientações dos órgãos de saúde.
"Não é motivo para alarde. Não temos casos em Pará de Minas nem na nossa região. O importante é que a população mantenha a vacinação em dia e comunique imediatamente qualquer ocorrência envolvendo morte de primatas."
Ela destacou que a gravidade da doença justifica a intensificação das ações.
"A febre amarela pode evoluir para formas graves e apresentar letalidade de até 50%. Entre 2024 e 2025, Minas Gerais registrou 15 casos humanos confirmados e cinco óbitos. Este ano ainda não temos casos confirmados em pessoas, mas existem casos em investigação, o que mantém o alerta ativo."
O coordenador da Vigilância Ambiental, Douglas Duarte, explicou que o monitoramento dos primatas é uma das principais ferramentas para identificar precocemente a circulação viral.
"Nosso principal trabalho é acompanhar e monitorar a morte de primatas não humanos, encaminhando as informações e os materiais coletados para os laboratórios de referência."
Segundo ele, os macacos não transmitem a doença para as pessoas, mas funcionam como importantes indicadores da circulação do vírus.
"Os primatas são sentinelas da febre amarela. Eles funcionam como um termômetro da circulação viral. Quando encontramos animais mortos em determinadas regiões, isso serve de alerta para intensificarmos a vacinação e a vigilância."
Douglas chamou atenção especialmente para os macacos da espécie bugio.
"Os bugios costumam permanecer nas copas das árvores e normalmente só descem quando estão debilitados ou procuram água. Por isso, muitas vezes são encontrados próximos a córregos, lagoas e áreas de mata."
Ele orienta que, ao encontrar um primata morto, a população deve acionar imediatamente os órgãos de vigilância.
"As pessoas não devem manipular esses animais sem orientação. O ideal é entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses pelo telefone 3231-7817 ou com a Vigilância em Saúde pelo número 3231-7722."
Além da vacinação, Douglas recomenda medidas preventivas adicionais.
"É importante utilizar repelentes, especialmente em áreas rurais e de mata, instalar telas de proteção e manter a atenção ao controle dos criadouros do mosquito."
A responsável pelo setor de imunização, Juliana Viana, reforçou que a vacina contra a febre amarela é segura e continua sendo a principal estratégia de proteção.
"A vacinação é a forma mais eficaz e segura de prevenção contra a febre amarela."
Ela explicou o esquema vacinal atualmente recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações.
"As crianças recebem duas doses: uma aos nove meses e outra aos quatro anos de idade. Já as pessoas com cinco anos ou mais precisam receber apenas uma dose ao longo da vida."
Juliana esclareceu que alguns grupos necessitam de avaliação específica antes da imunização.
"Pessoas acima de 60 anos e indivíduos com alergia grave ao ovo devem passar por avaliação antes da vacinação, podendo receber a dose em ambiente hospitalar quando indicado."
Ela orienta que qualquer pessoa com dúvida sobre sua situação vacinal procure uma unidade de saúde.
"Quem não possui cartão de vacina ou não sabe se já foi imunizado deve procurar uma das 24 salas de vacinação disponíveis no município."
As unidades de vacinação funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 15h30. Já as unidades participantes do programa Saúde na Hora — UBS Providência, Nossa Senhora da Piedade e Walter Martins — realizam atendimento até as 20 horas.
A responsável pelo setor de imunização revelou que a cobertura vacinal atual do município ainda está abaixo do ideal.
"Hoje nossa cobertura vacinal contra a febre amarela é de aproximadamente 59,9%, enquanto o recomendado é atingir 100%. Estimamos que cerca de 30 mil pessoas ainda não estejam vacinadas."
Por isso, a Secretaria Municipal de Saúde iniciou ações de busca ativa e reforçou a orientação para que a população revise sua situação vacinal.
"Precisamos ampliar essa cobertura para garantir proteção coletiva e evitar a circulação do vírus. A vacina salva vidas e continua sendo nossa principal ferramenta de prevenção."
Mesmo sem registros da doença em Pará de Minas, a Secretaria Municipal de Saúde reforça que a prevenção antecipada, a vigilância constante e a vacinação são fundamentais para evitar a ocorrência de casos humanos e proteger a população diante do cenário epidemiológico observado em Minas Gerais.