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2ª Conferência Municipal de Políticas sobre Drogas debate prevenção, cuidado e fortalecimento da rede de atenção em Pará de Minas

Com a participação de representantes do poder público, profissionais de diversas áreas, conselhos municipais, forças de segurança, instituições e sociedade civil organizada, Pará de Minas realizou, na manhã desta quinta-feira (2), a 2ª Conferência Municipal de Políticas sobre Álcool e Outras Drogas. O evento, promovido pelo Conselho Municipal de Políticas sobre Álcool e Outras Drogas (COMAD), teve como objetivo discutir estratégias para fortalecer as políticas públicas de prevenção, cuidado, reinserção social, redução de danos e segurança pública relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.

A conferência contou com a presença do vice-prefeito Luiz Lima, do presidente da Câmara Municipal, Geraldinho Cuíca, dos secretários municipais Gilberto Denoziro (Saúde), Marcos Aurélio dos Santos (Educação) e Cláudia Assunção (Assistência e Desenvolvimento Social), além de representantes de entidades, instituições e profissionais da rede de atenção psicossocial.

A programação incluiu palestra da diretora de Articulação e Projetos Estratégicos da Subsecretaria de Estado de Políticas sobre Drogas, Pauline Rocha, que abordou o tema "Responsabilidade compartilhada: desafios e possibilidades na prevenção e no cuidado ao uso de álcool e outras drogas". Também foi realizada uma mesa-redonda sobre atenção psicossocial e redução de danos, com participação dos psicólogos Alisson Soares, Carla Gomes e Raiane Couto.

Presidente do COMAD, Neide Almeida avaliou de forma positiva a realização da conferência e destacou a ampla participação dos diversos setores da sociedade.

"A avaliação é extremamente positiva e fica um sentimento de compromisso, responsabilidade e de objetivo atingido."

Segundo ela, a efetividade das políticas públicas sobre álcool e outras drogas depende diretamente da atuação integrada entre diferentes áreas.

"Aqui nós conseguimos reunir educação, assistência social, saúde, esporte, segurança pública e sociedade civil. A política sobre álcool e outras drogas precisa ser intersetorial para ser realmente efetiva."

Neide explicou que as propostas discutidas ao longo da conferência foram construídas a partir de um amplo processo participativo.

"Realizamos 14 pré-conferências extremamente exitosas, nas quais discutimos prevenção, reinserção social, segurança pública, tratamento e reabilitação."

As propostas aprovadas servirão como base para o planejamento municipal dos próximos anos.

"Agora, todas essas propostas serão incorporadas ao Plano Municipal de Políticas sobre Álcool e Outras Drogas, que orientará as ações pelos próximos quatro anos."

Para a presidente do COMAD, um dos principais avanços obtidos ao longo dos últimos anos foi a construção de uma política pública mais acolhedora e humanizada.

"A grande vitória foi reconhecer os diferentes públicos e compreender a necessidade de implantarmos uma política eficiente, intersetorial, acolhedora e humanizadora."

Durante sua palestra, a diretora da Subsecretaria de Estado de Políticas sobre Drogas, Pauline Rocha, destacou que a prevenção ao uso abusivo de álcool e outras drogas exige responsabilidade compartilhada entre diversos setores da sociedade.

"A responsabilidade compartilhada não significa dividir problemas, mas construir soluções conjuntamente."

Segundo ela, o uso de álcool e outras drogas deve ser compreendido como um fenômeno complexo, influenciado por diversos fatores.

"Não se trata de uma questão exclusivamente individual. Existem fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, culturais e comunitários que influenciam esse processo."

Por isso, Pauline defende que as políticas públicas abandonem ações isoladas e avancem para estratégias integradas e permanentes.

"Precisamos construir políticas articuladas entre saúde, educação, assistência social, cultura, esporte e lazer, sempre baseadas em evidências científicas."

A especialista também destacou os principais fatores de proteção apontados pelos estudos internacionais sobre prevenção.

"Os vínculos familiares fortalecidos, um ambiente escolar acolhedor, a participação comunitária, o desenvolvimento das habilidades socioemocionais e o acesso à cultura, ao esporte e ao lazer constituem importantes fatores de proteção."

Ela ressaltou ainda a importância da oferta de oportunidades para jovens e adolescentes.

"Quando oferecemos pertencimento, perspectivas e oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional, estamos fortalecendo toda a rede de proteção."

Representando a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Pará de Minas, o psicólogo Alisson Soares destacou o fortalecimento dos serviços especializados no município.

"Hoje temos uma RAPS muito fortalecida em Pará de Minas."

Ele explicou que a estrutura municipal conta atualmente com três Centros de Atenção Psicossocial.

"Temos o CAPS AD, o CAPS II e o CAPSi, além dos atendimentos psicológicos realizados nas unidades básicas de saúde."

Segundo Alisson, a política atual de atenção aos usuários de álcool e outras drogas é baseada na redução de danos e no cuidado individualizado.

"Hoje não trabalhamos exclusivamente com a abstinência. Trabalhamos com a redução do uso e, principalmente, com a redução dos danos causados pelo uso de álcool e outras drogas."

O profissional ressaltou que cada usuário participa ativamente da construção de seu próprio tratamento.

"O paciente participa da elaboração do seu Projeto Terapêutico Singular, construindo conosco os objetivos e as estratégias de cuidado."

Para ele, a maior recompensa do trabalho é acompanhar a reconstrução dos vínculos sociais e familiares.

"É muito gratificante quando conseguimos reinserir uma pessoa no mercado de trabalho, no convívio familiar e no seu território."

Alisson enfatizou ainda a função transitória do CAPS no processo terapêutico.

"O CAPS não é um lugar de permanência. É um lugar de passagem, de acolhimento e apoio, até que a pessoa possa retomar sua vida com autonomia."

A jovem aprendiz Gabrielle Vitória Coelho Faria, de 17 anos, ressaltou a importância da participação da juventude nos debates sobre políticas públicas relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.

"É extremamente importante que os jovens participem dessas discussões desde cedo."

Para ela, a prevenção precisa começar ainda na adolescência.

"Muitos jovens acabam entrando nesse universo sem conhecer os riscos envolvidos."

Gabrielle defendeu a ampliação das políticas públicas voltadas à reinserção social e ao acolhimento.

"Esperamos que esta conferência produza políticas públicas realmente eficazes, capazes de reinserir essas pessoas na sociedade."

Ela também destacou o papel da família, da escola e dos serviços públicos na prevenção.

"Famílias, escolas e redes públicas precisam começar a tratar desse assunto desde cedo."

Ao reunir diferentes setores e promover o diálogo entre gestores, profissionais e sociedade civil, a 2ª Conferência Municipal de Políticas sobre Álcool e Outras Drogas reafirma o compromisso de Pará de Minas com a construção de políticas públicas integradas, humanizadas e baseadas em evidências, fortalecendo as estratégias de prevenção, cuidado e reinserção social no município.

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