../app-home/api-modulos/noticias/img/171581/WhatsApp Image 2026-06-25 at 14.59.00.jpeg

2º Festival do Biscoito e do Queijo amplia estrutura, valoriza tradição centenária e promete movimentar Pará de Minas

Pará de Minas já vive a expectativa para a realização da segunda edição do Festival do Biscoito e do Queijo, que acontecerá entre os dias 2 e 5 de julho e promete consolidar-se como um dos mais importantes eventos culturais e gastronômicos do município. Após o sucesso da edição inaugural, realizada em 2025, a Prefeitura de Pará de Minas, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Comunicação Institucional, ampliou os investimentos, preparou uma estrutura maior e escolheu um novo espaço para receber biscoiteiras, produtores de queijo, artistas e visitantes.

Neste ano, o festival será realizado em uma área arborizada e ao ar livre do Parque do Bariri, nas proximidades do cruzamento entre a Avenida Amazonas e a Rua Mato Grosso. O novo espaço foi escolhido justamente para reforçar o conceito da edição 2026, que traz como tema "Quintal de Vó", uma homenagem às memórias afetivas, aos encontros familiares e às receitas tradicionais transmitidas entre gerações.

A programação reunirá oficinas, feira gastronômica, aulas-show, apresentações musicais, intervenções artísticas e diversas experiências culturais voltadas para a valorização do patrimônio imaterial de Pará de Minas, especialmente do ofício das biscoiteiras, reconhecido como patrimônio histórico e cultural do município e também registrado no âmbito estadual.

A secretária municipal de Cultura e Comunicação Institucional, Isabel Faria, destaca que o sucesso da primeira edição motivou a ampliação do festival e a construção de uma proposta ainda mais acolhedora para este ano.

"O Festival do Biscoito e do Queijo retorna este ano com uma estrutura muito maior. Escolhemos o tema 'Quintal de Vó' justamente para criar esse ambiente afetivo, acolhedor, com cheiro de café passado e de biscoito sendo preparado na hora, remetendo às nossas melhores memórias familiares."

Segundo Isabel, o crescimento do evento pode ser percebido já no número de participantes inscritos.

"Nós ampliamos significativamente a participação das biscoiteiras. Este ano teremos aproximadamente 18 participantes, muitas delas produzindo em suas próprias casas, preservando receitas familiares que atravessam gerações. Também ampliamos a participação dos produtores de queijo, café e sucos artesanais."

A expectativa da organização é superar com folga os números registrados em 2025, quando foram comercializados mais de uma tonelada de biscoitos e aproximadamente 400 quilos de queijo.

"No ano passado vendemos mais de mil quilos de biscoitos e cerca de 400 quilos de queijo. Nossa expectativa é, no mínimo, dobrar esses números nesta edição."

Além da programação principal, o festival também oferecerá oficinas gratuitas voltadas à preservação dos saberes tradicionais. Ao todo, serão quatro oficinas distribuídas em diferentes espaços culturais do município.

"Atendendo aos pedidos do público, teremos quatro oficinas de biscoito: duas na Escola de Artes, uma no Museu Histórico e uma no projeto Bola de Gude, esta última em horário noturno, às 19 horas, na quinta-feira. As inscrições poderão ser feitas presencialmente a partir do dia 29 de junho nos próprios locais das oficinas."

Para o diretor do Museu Histórico, Alaércio Delfino, o festival vai muito além da gastronomia e representa um importante movimento de valorização da memória coletiva e da identidade cultural paraminense.

"O festival busca valorizar e resgatar o ofício das biscoiteiras, uma tradição que possui mais de duzentos anos e que remete diretamente à colonização, às cozinhas familiares e às memórias afetivas de várias gerações."

Segundo ele, a iniciativa reúne diferentes manifestações culturais em torno de um patrimônio que ajuda a contar a história do município.

"Por se tratar de um bem registrado nos âmbitos municipal e estadual, o festival consegue unir culinária, arte, cultura, história e memória em um único espaço. É um evento pensado para as famílias."

A proposta familiar do evento se reflete inclusive na organização do espaço.

"Nós teremos um ambiente voltado para o café, o queijo, o biscoito e a convivência familiar. É importante destacar que não haverá comercialização de bebidas alcoólicas, justamente para preservar esse caráter de encontro entre gerações."

A programação artística também foi ampliada para esta edição e contará com atrações musicais e intervenções culturais durante todo o fim de semana.

No sábado, dia 4, a programação começa às 8h30 com apresentação de João Chaves, interpretando clássicos da música popular brasileira. Ao longo da manhã, o público poderá acompanhar intervenções do palhaço Wendel Guilherme, a performance de Thiago Jackson — conhecido por seu tributo ao cantor Michael Jackson — e, encerrando a programação musical do dia, o Trio Lampião, com repertório voltado ao tradicional forró brasileiro.

Já no domingo, dia 5, a abertura musical ficará por conta de Dalvan e banda, trazendo clássicos do rock, enquanto o encerramento será realizado por Ilin da Floresta, com repertório inspirado na música caipira tradicional.

Além dos shows, haverá apresentações teatrais surpresa promovidas pelo Grupo L e uma aula-show especial ministrada pela biscoiteira Anivaldete, que preparará uma receita ao vivo acompanhada de degustação para o público.

Alaércio ressalta que a valorização das famílias produtoras é resultado de um trabalho permanente de pesquisa e documentação realizado pelo município.

"Esse contato com as famílias biscoiteiras surgiu a partir do trabalho desenvolvido para o ICMS Patrimônio Cultural. Descobrimos histórias extraordinárias que muitas vezes nem a própria cidade conhecia."

Uma dessas histórias é representada pelo mestre biscoiteiro Rafael André da Silva, cuja trajetória está profundamente ligada à tradição centenária dos biscoitos artesanais de Pará de Minas.

Rafael conta que aprendeu o ofício ainda na infância, acompanhando o trabalho realizado pela mãe.

"Eu cresci dentro de uma família de biscoiteiras. Comecei a aprender por volta dos dez anos de idade, observando minha mãe trabalhar e reproduzindo receitas que já estavam na família havia muitas gerações."

Segundo ele, algumas das receitas preservadas pela família possuem aproximadamente 150 anos de existência.

"Nós trabalhamos com receitas raízes, receitas muito antigas, transmitidas de geração em geração. Minha obrigação hoje é preservar essas receitas exatamente como elas foram ensinadas."

A atividade, inicialmente doméstica, transformou-se posteriormente na principal fonte de renda da família.

"Minha mãe abriu uma loja há cerca de 35 anos e transformou o biscoito em profissão. Hoje eu tenho orgulho de continuar esse trabalho."

Embora o universo das biscoiteiras seja tradicionalmente feminino, Rafael destaca o orgulho de representar a continuidade desse patrimônio cultural.

"Tenho muito orgulho de ser um mestre biscoiteiro e de ajudar a manter viva essa tradição."

Durante sua oficina no festival, ele ensinará a produção de duas receitas consideradas clássicas da culinária paraminense.

"Vamos preparar o tradicional biscoito de amendoim e também o palitinho de queijo, duas receitas muito queridas e que representam bastante nossa tradição."

Para Rafael, o principal segredo da qualidade dos biscoitos tradicionais está justamente no respeito às receitas originais.

"Uma receita de sucesso precisa ser antiga, tradicional, feita totalmente à mão e com ingredientes de qualidade."

Ele revela ainda que parte da história preservada pelas receitas familiares remonta ao período da escravidão.

"Algumas receitas vieram da época dos escravos. Minha bisavó foi escrava e eu sinto que tenho a responsabilidade de não deixar essa história desaparecer."

Além da preservação cultural, Rafael destaca o impacto econômico proporcionado pelo festival.

"O festival é uma oportunidade muito importante para ampliar a renda das famílias e dar visibilidade ao trabalho das biscoiteiras."

Com uma estrutura ampliada, programação diversificada e foco na valorização do patrimônio cultural, o 2º Festival do Biscoito e do Queijo pretende consolidar Pará de Minas como referência na preservação das tradições gastronômicas mineiras. Mais do que celebrar sabores, aromas e memórias afetivas, o evento reafirma a importância da cultura popular como instrumento de identidade, geração de renda e fortalecimento da história do município.

Compartilhar notícia