Planejamento antecipado fortalece rede de saúde e mantém síndromes respiratórias sob controle em Pará de Minas
Graças ao planejamento antecipado e à reorganização da rede municipal de saúde, Pará de Minas atravessa o período de maior circulação de vírus respiratórios com indicadores epidemiológicos controlados e uma estrutura assistencial fortalecida para atender a população. Antes mesmo da chegada do inverno, a Secretaria Municipal de Saúde elaborou e colocou em prática um plano de contingência específico para o enfrentamento das síndromes respiratórias, envolvendo de forma integrada as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a UPA 24 Horas, o Hospital Nossa Senhora da Conceição, a Vigilância em Saúde e toda a rede de apoio.
O planejamento permitiu que o município ampliasse sua capacidade de atendimento justamente no período em que cresce a procura por assistência médica em razão das baixas temperaturas e da redução da umidade do ar, fatores que favorecem a circulação de vírus como Influenza, Covid-19 e Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite.
Entre as principais medidas adotadas estão a aquisição antecipada de equipamentos estratégicos para urgência e emergência, o reforço dos estoques de medicamentos e insumos, a intensificação das campanhas de vacinação, a capacitação permanente das equipes assistenciais e a reorganização dos fluxos de atendimento em toda a rede municipal.
O município investiu na compra de ventiladores pulmonares destinados ao atendimento neonatal e pediátrico, monitores multiparamétricos, cardioversores, bombas de infusão, eletrocardiógrafos, aspiradores de secreção, oxímetros de mesa e diversos outros equipamentos que ampliam a capacidade de resposta da UPA 24 Horas diante de pacientes com insuficiência respiratória ou outras complicações clínicas.
Além da estrutura física, a Secretaria também reforçou as ações preventivas, promovendo uma ampla mobilização para vacinação contra a Influenza, Covid-19 e contra o Vírus Sincicial Respiratório, destinada às gestantes a partir da 28ª semana de gestação, estratégia capaz de proteger os recém-nascidos contra as formas mais graves da bronquiolite.
Segundo a Referência Técnica da Vigilância Epidemiológica, Maria de Lourdes Liguori, as síndromes respiratórias representam um dos principais desafios para os serviços de saúde durante o inverno, exigindo monitoramento permanente e planejamento integrado entre todos os setores da assistência.
"As doenças respiratórias são infecções causadas principalmente por vírus e apresentam maior circulação durante o período sazonal, que se intensifica no inverno. Elas podem variar desde quadros leves, como as síndromes gripais, até formas graves, chamadas de Síndrome Respiratória Aguda Grave, que podem levar à hospitalização e até ao óbito."
Ela explica que a Vigilância Epidemiológica acompanha continuamente a circulação desses vírus e utiliza as informações para orientar todas as ações da Secretaria Municipal de Saúde.
"Nós monitoramos durante todo o ano principalmente a Influenza, a Covid-19 e o Vírus Sincicial Respiratório. Esse acompanhamento é feito diariamente por meio dos sistemas oficiais de notificação e permite que a rede esteja preparada para responder rapidamente ao aumento da demanda."
Os resultados do trabalho já aparecem nos indicadores do município. Conforme Lourdinha, houve uma expressiva redução no número de casos graves registrados em relação ao mesmo período do ano anterior.
"No ano passado registramos 89 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Neste ano, até o momento, contabilizamos apenas 23 casos hospitalizados. Tivemos dois óbitos provocados por outros vírus respiratórios, mas nenhum relacionado à Influenza, Covid-19 ou Vírus Sincicial Respiratório."
Em relação à bronquiolite, doença que costuma preocupar principalmente famílias de recém-nascidos e crianças pequenas, o cenário também permanece controlado.
"Até agora tivemos apenas três casos hospitalizados de bronquiolite e nenhum óbito. Isso demonstra a importância do planejamento e principalmente da vacinação das gestantes, que protege os bebês nos primeiros meses de vida."
A especialista reforça que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção das complicações causadas pelas doenças respiratórias.
"Hoje todas as unidades básicas de saúde disponibilizam as vacinas contra Influenza, Covid-19 e também a vacina destinada às gestantes a partir da 28ª semana de gestação para proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório. A imunização continua sendo nossa principal estratégia para reduzir casos graves e internações."
Na Atenção Primária, considerada a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde, também houve reorganização das equipes para absorver o aumento esperado na procura por atendimento.
O coordenador da Atenção Primária, Renato de Faria Freitas, explica que todos os anos o município já se prepara para um crescimento médio de aproximadamente 25% nos atendimentos relacionados às síndromes respiratórias.
"Nós reorganizamos as agendas das equipes para atender tanto os pacientes agendados quanto a demanda espontânea de pessoas com sintomas respiratórios. Esse planejamento permite acolher a população sem comprometer os demais atendimentos realizados nas unidades."
Renato destaca que os pacientes com sintomas leves devem procurar inicialmente sua Unidade Básica de Saúde, preservando a UPA para os casos realmente urgentes.
"A UBS é a porta de entrada do sistema. Pessoas com tosse, coriza, febre ou dor de garganta devem procurar primeiro sua unidade de referência. Caso o profissional identifique necessidade de atendimento especializado, esse paciente será encaminhado para a UPA."
Para ampliar o acesso durante o período de sazonalidade, o município mantém unidades sentinelas funcionando em horário estendido.
"Hoje contamos com as UBSs Providência, Nossa Senhora da Piedade e Walter Martins funcionando das 16 às 20 horas justamente para atender aquelas pessoas que não conseguem comparecer durante o horário comercial."
Além da assistência, a Atenção Primária também intensificou o trabalho de orientação realizado pelos Agentes Comunitários de Saúde.
"Os agentes fazem visitas domiciliares, conferem os cartões de vacinação, orientam as famílias e ajudam a combater as fake news relacionadas às vacinas. Também reforçamos orientações simples, como manter os ambientes ventilados, evitar aglomerações e utilizar máscara quando houver sintomas respiratórios."
Na UPA 24 Horas, o cenário também permanece dentro da normalidade esperada para esta época do ano.
O responsável técnico da unidade, médico Davi Laurindo, explica que a maioria dos atendimentos continua sendo composta por quadros leves.
"Grande parte dos pacientes apresenta síndromes gripais e resfriados comuns. O aumento da procura nesta época do ano já era esperado e, felizmente, está acontecendo de forma menos intensa do que no ano passado."
Apesar disso, ele alerta que alguns sinais indicam a necessidade de procurar imediatamente um serviço de urgência.
"Nas crianças chamam atenção o batimento da asa do nariz, dificuldade para mamar e extremidades arroxeadas. Já nos adultos devemos observar principalmente falta de ar importante, alteração do nível de consciência e coloração azulada nas pontas dos dedos."
Segundo o médico, a estrutura disponível atualmente na UPA permite oferecer suporte avançado até mesmo para pacientes em estado grave.
"Hoje temos ventilação mecânica para recém-nascidos, ventiladores pulmonares modernos, cânulas de alto fluxo e todos os recursos necessários para estabilizar o paciente até que seja realizada, se necessário, a transferência para um hospital."
Ele lembra que doenças como a bronquiolite não possuem tratamento específico, exigindo assistência especializada para garantir a recuperação dos pacientes.
"No caso do Vírus Sincicial Respiratório, por exemplo, não existe medicamento específico. O tratamento é totalmente baseado em suporte clínico, e é justamente essa estrutura que a UPA possui hoje."
Outro diferencial importante da assistência municipal é a atuação permanente da equipe de fisioterapia respiratória dentro da UPA.
A fisioterapeuta Ana Carolina Ferreira explica que o trabalho desenvolvido muitas vezes evita procedimentos invasivos e reduz o tempo de recuperação dos pacientes.
"Nossa atuação começa desde a avaliação inicial. Utilizamos técnicas específicas de higiene brônquica, expansão pulmonar, manejo da oxigenoterapia e acompanhamento ventilatório para melhorar rapidamente a condição clínica dos pacientes."
Segundo ela, o serviço conta com equipamentos modernos que ampliam significativamente a capacidade de tratamento.
"Hoje dispomos de cateter nasal de alto fluxo, CPAP e ventiladores microprocessados de alta qualidade, permitindo oferecer suporte respiratório avançado tanto para crianças quanto para adultos."
Ana Carolina destaca que a fisioterapia respiratória desempenha papel decisivo na redução das internações em terapia intensiva.
"Quando conseguimos intervir precocemente, muitas vezes evitamos a necessidade de intubação, reduzimos o tempo de internação e proporcionamos uma recuperação muito mais rápida ao paciente."
Ela ressalta ainda que o atendimento é realizado todos os dias da semana e integra o trabalho multidisciplinar desenvolvido pela equipe da UPA.
"Nossa equipe atua de segunda a segunda, acompanhando diariamente os pacientes internados e em observação, monitorando exames, parâmetros ventilatórios e trabalhando em conjunto com médicos e enfermagem para oferecer o melhor cuidado possível."
Com investimentos em infraestrutura, aquisição antecipada de equipamentos, capacitação permanente dos profissionais, fortalecimento da vacinação e integração entre todos os níveis de assistência, a Secretaria Municipal de Saúde demonstra que o planejamento realizado antes do período sazonal tem garantido uma resposta rápida, organizada e eficiente ao aumento das doenças respiratórias. Os indicadores epidemiológicos permanecem sob controle e a população conta hoje com uma rede preparada para oferecer atendimento qualificado desde os primeiros sintomas até os casos de maior complexidade, reforçando o compromisso do município com a prevenção, a assistência humanizada e a proteção da saúde da população.