Alimentação reforça acolhimento aos atletas durante o JEMG em Pará de Minas
Nos 22 alojamentos utilizados durante a etapa estadual dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG) 2026, em Pará de Minas, o cuidado com os estudantes-atletas vai muito além da estrutura para descanso. A alimentação preparada diariamente também se tornou parte fundamental da experiência dos jovens que vieram de diferentes regiões de Minas Gerais para disputar a competição.
Com cardápios variados e refeições preparadas ao longo do dia, as equipes responsáveis pela alimentação trabalham para garantir pratos completos, com proteínas, carboidratos, saladas, frutas e outros alimentos necessários para auxiliar os atletas durante a intensa rotina de jogos.
Mas, nos refeitórios, o que mais chama a atenção não está apenas na variedade dos alimentos. O preparo cuidadoso, o tempero artesanal e a preocupação em servir as refeições quentes fazem com que muitos estudantes encontrem na comida um pouco do sabor de casa, mesmo estando longe de suas famílias.
Comida preparada com carinho
Na Escola Municipal Dom Bosco, um dos 22 locais utilizados como alojamento, a cozinheira Maraísa Oliveira Souza conta que o trabalho começa muito antes de os atletas chegarem ao refeitório.
Para ela, existe um ingrediente que não pode faltar em nenhuma receita: o carinho.
"Primeira coisa é ter muito amor para preparar. Tudo que você vai comer tem que ter muito amor envolvido", destaca Maraísa.
A organização da equipe permite que cada profissional participe de uma etapa do preparo. O objetivo é fazer com que a comida chegue à mesa no momento certo e, principalmente, ainda quente.
"Eu gosto de preparar tudo na hora que eu vou servir. Eu termino e já coloco na mesa. Tiro do fogão, ponho na mesa e já aviso eles", explica.
A estratégia também ajuda a evitar filas e permite que todos sejam atendidos rapidamente. As mesas são organizadas para que os estudantes possam se servir pelos dois lados do refeitório.
E o resultado aparece na própria reação dos atletas.
Segundo Maraísa, um dos momentos mais gratificantes acontece depois das refeições, quando os estudantes passam pela janela da cozinha para agradecer.
"Não tem nada mais gratificante. É um sentimento de dever cumprido. Você vê todo mundo comendo, todo mundo elogiando, não sobra nada."
Ela conta que algumas das frases mais marcantes vêm justamente dos próprios estudantes: "Tia, estava gostoso demais" e "Tia, obrigado".
Sabor de casa longe da família
Para os atletas, a alimentação também representa uma forma de acolhimento durante os dias de competição.
João Gabriel Barbosa Silva, atleta de badminton de Coronel Murta, aprovou a variedade encontrada no almoço e destacou a presença de verduras e legumes, além das fontes de proteínas e carboidratos.
"Tem uma boa variedade de alimentos. Dá bastante energia, bastante carboidrato, proteínas excelentes", avaliou.
O atleta também percebeu a diferença no preparo dos alimentos e associou o tempero à comida feita de maneira caseira.
O feijão, especialmente, trouxe uma lembrança afetiva.
"O feijão bem caprichado, com tempero muito parecido com minha casa, inclusive que é feito lá em casa mesmo. Minha avó que faz a carne aqui é muito boa temperada também."
Para João Gabriel, a alimentação teve impacto direto na rotina de competição. Segundo ele, as refeições ajudaram a garantir energia para enfrentar os jogos.
Mesmo sem ter conseguido o resultado que esperava no badminton, o atleta avaliou positivamente a experiência em Pará de Minas e afirmou que pretende voltar no próximo ano.
"Foi muito bom. Não tive nada de ruim. Fui no shopping, fui em umas quadras, joguei aqui na escola também. É muito bom, gostei muito daqui. Eu vou vir ano que vem de novo."
Quando o tempero vira memória
A experiência foi semelhante para Pedro Gabriel Cardoso Pereira, também atleta de badminton de Coronel Murta.
Apaixonado por tomate, ele destacou a salada servida no almoço e, mais uma vez, o feijão apareceu como um dos principais destaques.
"O feijão para mim lembra muito o feijão de minha mãe. O arroz, tudo, estava tudo muito gostoso. Eu até repeti."
A comida, segundo Pedro, ajudou a transformar a experiência de estar longe de casa. O atleta conta que sentiu essa identificação desde a chegada ao alojamento.
"Só de chegar, quando eu comi, eu já senti o gosto do tempero da minha mãe. Estava muito gostoso."
O impacto também foi percebido antes da competição. Pedro relata que acordou desanimado para jogar, mas mudou de disposição depois da refeição.
"Quando eu comi, eu senti que já tinha mudado. É uma energia."
Alimentação também faz parte do acolhimento
A experiência dos atletas demonstra que, durante um evento esportivo de grande porte, a alimentação ocupa um papel que vai além de simplesmente fornecer energia para as competições.
Em uma competição que reúne estudantes de diferentes cidades e que exige uma rotina intensa de jogos, deslocamentos e atividades, refeições adequadas contribuem para a disposição dos participantes. Ao mesmo tempo, o preparo cuidadoso e o contato próximo com as equipes dos alojamentos ajudam a criar um ambiente de acolhimento.
No caso dos atletas de Coronel Murta, o sabor da comida preparada na Escola Municipal Dom Bosco acabou despertando lembranças de suas próprias famílias.
Para Maraísa, que está do outro lado desse processo, ver os refeitórios cheios e os estudantes satisfeitos é justamente a recompensa pelo trabalho.
"Se for fazer as coisas, faz bem feito. Põe amor no que faz e automaticamente acaba."
Assim, entre partidas, treinos, novas amizades e experiências vividas longe de casa, os estudantes-atletas também levam de Pará de Minas uma lembrança que passa pelo paladar: a sensação de encontrar, em meio a uma grande competição, um pouco do sabor e do carinho de casa.